A expansão da inteligência artificial está transformando não apenas a forma como empresas e consumidores utilizam a tecnologia, mas também o mercado de investimentos. O avanço da IA aumenta a demanda por semicondutores, processamento de dados, computação em nuvem, softwares, infraestrutura digital e soluções de cibersegurança.
Diante desse cenário, investidores que desejam participar do crescimento do setor encontram alternativas que buscam diversificar a exposição entre diferentes empresas e áreas relacionadas à inteligência artificial.
Uma dessas opções é o Fundo Safra Inteligência Artificial, lançado pelo Banco Safra em março de 2024. A proposta do produto é concentrar investimentos em diferentes segmentos que fazem parte da cadeia global de desenvolvimento e utilização da tecnologia.
Segundo informações divulgadas pela instituição, o fundo acumulava, desde o início das operações, rentabilidade nominal de 130,41%, equivalente a 387,95% do CDI no mesmo período. Nos 12 meses anteriores, a rentabilidade informada era de 74,51%, correspondente a 506,40% do CDI.
IA vai além dos aplicativos
O crescimento da inteligência artificial depende de uma estrutura tecnológica que envolve diversas empresas. Antes de chegar ao usuário por meio de aplicativos e plataformas, a tecnologia exige capacidade de processamento, armazenamento, transmissão de dados e sistemas capazes de executar modelos cada vez mais complexos.
Nesse ecossistema estão fabricantes de semicondutores, empresas de hardware, operadoras de data centers, companhias de computação em nuvem, fornecedores de softwares e especialistas em armazenamento e análise de dados.
A expansão da demanda por processamento demonstra a velocidade com que esse mercado vem crescendo. Dados apresentados pelo Google indicam que o volume processado por seus modelos de IA, incluindo o Gemini, por meio de APIs utilizadas diretamente por clientes chegou a 22 bilhões de tokens por minuto no segundo trimestre de 2026.
O número representa uma evolução significativa em relação aos períodos anteriores. No primeiro trimestre de 2026, eram 16 bilhões de tokens por minuto. No quarto trimestre de 2025, o volume chegava a 10 bilhões, enquanto no terceiro trimestre daquele ano era de 7 bilhões.
Esse avanço evidencia como o aumento do uso da inteligência artificial gera demanda em diferentes áreas da economia e amplia o mercado para empresas que fornecem a infraestrutura necessária para o funcionamento da tecnologia.
Diversificação dentro do setor
Uma das estratégias utilizadas pelo fundo é distribuir os investimentos entre diferentes segmentos da cadeia de valor da inteligência artificial. A ideia é evitar uma concentração excessiva em uma única empresa ou em apenas uma tecnologia.
Entre as companhias que integram o portfólio estão fabricantes de semicondutores, como Nvidia, AMD e TSMC. Também fazem parte da carteira empresas ligadas à produção de memórias, como a Micron, além de companhias de software, monitoramento de sistemas e gerenciamento de dados, como Datadog e Snowflake.
Essa diversificação permite acompanhar diferentes etapas do desenvolvimento da IA, desde a produção dos componentes necessários para o processamento até as soluções utilizadas por empresas para armazenar, analisar e proteger informações.
Cibersegurança ganha espaço
O avanço da inteligência artificial também aumenta a importância da segurança digital. Ao mesmo tempo em que novas ferramentas são desenvolvidas para melhorar processos e produtividade, a tecnologia também pode modificar a maneira como ataques e ameaças virtuais são realizados.
Com isso, empresas especializadas em cibersegurança passam a ocupar uma posição estratégica dentro do ecossistema tecnológico. O segmento combina a necessidade crescente de proteção de dados com a busca das empresas por sistemas capazes de acompanhar a evolução das ameaças digitais.
Outro ponto considerado na estratégia do fundo é a exposição internacional. Como boa parte das principais empresas ligadas ao desenvolvimento da inteligência artificial está localizada fora do Brasil, o produto adota uma estratégia de proteção cambial para reduzir a influência das oscilações do dólar sobre o investimento.
Dessa forma, a inteligência artificial deixa de ser vista apenas como uma tecnologia presente em aplicativos e ferramentas digitais e passa a representar um ecossistema econômico amplo, formado por empresas de diferentes setores que participam da expansão dessa nova fronteira tecnológica.