Casagrande rejeita anistia para líderes do 8 de Janeiro, mas questiona rigor das penas

O ex-governador do Espírito Santo e candidato ao Senado Renato Casagrande (PSB) afirmou nesta segunda-feira (21) que não pretende atuar, caso seja eleito, pela concessão de anistia a pessoas que tenham liderado a tentativa de golpe associada aos atos de 8 de janeiro de 2023.

Ao mesmo tempo, Casagrande fez uma distinção entre os responsáveis pela organização dos atos e aqueles que participaram das manifestações. Segundo ele, as punições aplicadas aos participantes foram excessivamente severas e deveriam levar em consideração o nível de envolvimento de cada pessoa.

A declaração foi dada durante entrevista ao programa Bom Dia ES. O candidato defendeu que as penas sejam estabelecidas de maneira proporcional à atuação de cada envolvido, separando quem teria participado da articulação e mobilização dos atos daqueles que apenas estiveram presentes.

A discussão sobre anistia e redução de penas para condenados pelos acontecimentos de 8 de janeiro permanece em tramitação no Congresso. Em abril de 2026, o Congresso derrubou o veto presidencial ao chamado PL da Dosimetria, permitindo mudanças relacionadas ao cálculo das penas e à progressão de regime para condenados pelos atos.

Apoio a Lula e indicação de voto para o Senado

Durante a entrevista, Casagrande também comentou as alianças que mantém para a disputa eleitoral deste ano. O candidato declarou apoio à candidatura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à reeleição, destacando a presença do PSB na composição nacional que tem Geraldo Alckmin como candidato a vice-presidente.

Para a segunda vaga do Espírito Santo no Senado, Casagrande declarou apoio a Rose de Freitas (MDB), que integra a mesma coligação estadual do candidato. O MDB também é o partido do governador Ricardo Ferraço, que disputa a reeleição com apoio de Casagrande.

O ex-governador afirmou ainda que, apesar das alianças partidárias, pretende priorizar os interesses do Espírito Santo em sua eventual atuação no Senado.

Posições sobre segurança e STF

Casagrande também apresentou posições sobre segurança pública e o funcionamento do Supremo Tribunal Federal (STF).

Ele declarou ser favorável à redução da maioridade penal para 16 anos em casos de crimes graves. Em outra ocasião, também havia defendido essa mudança especificamente para crimes hediondos.

Na entrevista, afirmou ainda ser favorável ao impeachment de ministros do STF quando houver comprovação de conduta ilícita.

Por outro lado, o candidato se posicionou contra a adoção de mandato vitalício para integrantes da Corte e contra a classificação de facções criminosas como organizações terroristas. Em relação ao STF, Casagrande já havia defendido a criação de mandatos com duração determinada para os ministros.