Câmara da Serra exonera 38 servidores ligados a vereadores afastados por suspeita de corrupção

A Câmara Municipal da Serra exonerou, na última quinta-feira (6), 38 servidores comissionados que atuavam nos gabinetes dos vereadores afastados Saulinho da Academia (PDT), Cleber Serrinha (MDB), Wellington Alemão (Rede) e Teilton Valim (PDT), todos investigados por suspeita de corrupção.

Os nomes foram publicados na edição do Diário Oficial do Legislativo, complementando os 18 desligamentos registrados na quarta-feira (5). Os cargos ocupados variavam entre apoio parlamentar (R$ 2,5 mil), assistente (R$ 4 mil), assessor (R$ 5,2 mil) e chefe de gabinete (R$ 7,5 mil).

As exonerações foram assinadas pelo presidente em exercício da Câmara, William Miranda (União Brasil), e também atingiram o diretor-geral da Casa, dispensado no início da semana.

Decisão judicial e impasse político

O corte no quadro de servidores ocorre mais de 40 dias após a Justiça acatar denúncia do Ministério Público do Espírito Santo (MPES) e determinar o afastamento dos quatro parlamentares por tempo indeterminado.

Entretanto, a dispensa dos comissionados não está relacionada diretamente à convocação dos suplentes, uma vez que a Câmara recorreu da decisão que autorizava a posse de Marcelo Leal (MDB), Dr. Thiago Peixoto (Psol), Wilian da Elétrica (PDT) e Sérgio Peixoto (PDT). O Tribunal de Justiça do Espírito Santo (TJES) suspendeu o ato que garantia a nomeação dos suplentes, mantendo o impasse político.

As denúncias

Segundo o MPES, os vereadores afastados são investigados por corrupção passiva, crime que ocorre quando um agente público solicita, recebe ou aceita promessa de vantagem indevida em razão do cargo. O órgão apura um suposto esquema de propina de até R$ 100 mil, relacionado à aprovação de um projeto de lei encaminhado pela Prefeitura da Serra em 2024.

A denúncia também cita os ex-vereadores Luiz Carlos Moreira, atual presidente do MDB municipal, e Aloísio Ferreira Santana, apontados como intermediadores das negociações. Ambos vão responder por corrupção ativa.

A Câmara Municipal da Serra foi procurada para comentar as exonerações e a situação dos suplentes, mas não se manifestou até o fechamento da matéria.