A estratégia de combate ao crime adotada pelo presidente de El Salvador, Nayib Bukele, baseada em prisões em massa e na construção de grandes complexos penitenciários, passou a influenciar discursos e propostas de líderes políticos em diferentes países. Embora seja apontada por apoiadores como um exemplo de enfrentamento à criminalidade, a política também é alvo de críticas de organizações e especialistas por supostas violações de direitos humanos.
Nos últimos anos, o chamado “modelo Bukele” ganhou espaço em campanhas eleitorais da América Latina. Na Colômbia, o presidente eleito Abelardo de la Espriella afirmou durante a campanha que pretende construir sete megapresídios inspirados no sistema adotado por El Salvador.
No Peru, a candidata Keiko Fujimori também apresentou proposta semelhante. Entre os projetos defendidos por ela está a criação de uma megaprisão destinada a criminosos de alta periculosidade, inspirada no Centro de Confinamento do Terrorismo (Cecot), principal complexo penitenciário salvadorenho.
A influência das medidas implementadas por Bukele ultrapassou o continente americano. Na Europa, integrantes da direita radical passaram a citar o modelo ao discutir políticas de segurança pública e o problema da superlotação dos presídios. Um dos exemplos ocorreu na França, onde o presidente do partido Reagrupamento Nacional, Jordan Bardella, mencionou a rapidez com que El Salvador ampliou sua capacidade carcerária ao defender mudanças no sistema penitenciário francês.
Apesar da popularidade do discurso de endurecimento contra o crime, especialistas alertam que o contexto salvadorenho costuma ser simplificado quando serve de referência para outros países. Pesquisadores destacam que as prisões em massa ocorreram sob um regime de exceção, que ampliou os poderes das forças de segurança e permitiu milhares de detenções.
Segundo estudiosos da política salvadorenha, a estratégia também faz parte de um projeto de fortalecimento político do governo, sustentado pelos elevados índices de aprovação popular conquistados após a redução dos homicídios no país.
Ao mesmo tempo, entidades de direitos humanos denunciam prisões arbitrárias, restrições às garantias individuais e casos de abusos cometidos durante as operações de segurança. Essas críticas acompanham a expansão internacional da imagem do modelo adotado por Bukele.
Reeleito com ampla vantagem em 2024, o presidente salvadorenho costuma defender sua política afirmando que a prioridade de seu governo é garantir a segurança da população. Para ele, os resultados obtidos na redução da violência justificam as medidas adotadas, apesar das contestações feitas por organismos internacionais.
O debate sobre o chamado “modelo Bukele” segue dividindo opiniões. Enquanto defensores destacam a queda da criminalidade em El Salvador, críticos afirmam que sua adoção em outros países exige cautela diante dos impactos sobre o Estado de Direito, as garantias constitucionais e os direitos humanos.