Caso Luísa Lopes: juiz cancela visita de jurados ao local do atropelamento

O juiz Carlos Henrique Rios do Amaral Filho, da 1ª Vara Criminal de Vitória, decidiu cancelar a visita dos jurados, advogados e representantes da acusação à Avenida Dante Michelini, onde a ciclista e modelo Luísa Lopes morreu após ser atropelada.

A inspeção havia sido programada para ocorrer durante a noite desta quarta-feira (5), aproximadamente no mesmo horário em que aconteceu o acidente. A intenção era permitir que os integrantes do julgamento observassem diretamente as condições de iluminação e visibilidade da via.

A decisão de suspender a visita ocorreu após a identificação de uma bicicleta instalada no local como forma de homenagem à vítima. O objeto permanece no ponto do acidente há anos. Na avaliação do magistrado, a presença da homenagem poderia provocar impacto emocional nos jurados e interferir na análise dos fatos durante o julgamento.

Depoimento da mãe de Luísa é adiado

Com a suspensão dos trabalhos, o depoimento da mãe de Luísa Lopes foi remarcado para esta quinta-feira (6), a partir das 9h.

O julgamento da motorista Adriana Felisberto deve continuar ao longo da quinta-feira e se estender até sexta-feira (7).

Visita havia sido solicitada pelo Ministério Público

Antes do cancelamento, o juiz havia autorizado uma diligência na Avenida Dante Michelini a pedido do Ministério Público. A proposta era levar os jurados ao local por volta das 19h50, horário próximo ao momento em que ocorreu o atropelamento.

A intenção era reproduzir, dentro do possível, as condições de iluminação e visibilidade existentes na ocasião do acidente. A medida também buscava contribuir para a análise dos argumentos apresentados durante o julgamento.

A acusação sustenta que a avenida possui iluminação suficiente para permitir a visualização de pessoas e veículos. A ida ao local seria uma maneira de possibilitar que os jurados verificassem pessoalmente essas condições.

Defesa questiona interpretação sobre o acidente

A defesa de Adriana Felisberto considera que a realização da visita poderia favorecer a acusação. O principal ponto discutido no julgamento é a existência de dolo eventual.

A defesa busca que a acusação seja desclassificada de homicídio doloso para homicídio culposo. Segundo os argumentos apresentados, o atropelamento teria ocorrido de maneira não intencional.

Durante o julgamento, também foram mencionados elementos relacionados à sinalização da via e às circunstâncias em que Luísa teria entrado na pista. A análise dessas informações deverá fazer parte da avaliação dos jurados antes da decisão.

O julgamento continua nesta quinta-feira (6), com novos depoimentos e demais etapas previstas no processo.